RELATÓRIO DE POLÍTICA MONETÁRIA
280ª Reunião — 4 e 5 de agosto de 2026 | Banco Central do Brasil
1. A Decisão
O COPOM reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., de 14,25% para 14,00% ao ano, por unanimidade. É o quarto corte consecutivo no ciclo de calibração: os anteriores ocorreram nas 277ª (março/2026), 278ª (abril/2026) e 279ª (junho/2026) reuniões.
Antes do ciclo atual, a Selic permaneceu em 15,00% ao ano entre junho de 2025 e janeiro de 2026 — patamar sustentado por cinco manutenções consecutivas após a alta de 0,25 p.p. na 271ª reunião.
Decisão: Corte de 0,25 p.p.
Selic: 14,25% → 14,00% ao ano
Votação: Unânime
2. Por que o BC agiu assim?
O conjunto de indicadores divulgado desde a última reunião sugere moderação gradual da atividade econômica, em patamar ainda resiliente, com mercado de trabalho aquecido. A inflação cheia desacelerou, mas permanece acima do limite superior da meta; as medidas subjacentes arrefeceram para patamar ligeiramente abaixo do teto.
- Inflação acima da meta: desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta relacionados ao petróleo e efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia.
- Cenário externo incerto: indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da política monetária em algumas economias avançadas, com elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Projeções do BC: IPCA de 3,2% no 1º trimestre de 2028 (horizonte relevante atual). Expectativas Focus para 2026 e 2027: 5,0% e 4,2%, respectivamente.
3. O que muda para o investidor?
- Renda fixa pós-fixada (Tesouro Selic, CDB, LCI/LCA): rendimento cai levemente com o novo patamar, mas segue atrativo no contexto de juros restritivos.
- Renda fixa prefixada e IPCA+: podem se beneficiar se o ciclo de calibração continuar, com atenção à volatilidade de marcação a mercado nos prazos longos.
- Renda variável (Ações e FIIs): cenário de juros em queda gradual favorece valuation ao longo do tempo, mas incertezas externas e expectativas desancoradas exigem seletividade.
Últimas Movimentações do COPOM
| Reunião | Data | Selic (de → para) | Variação | Decisão |
|---|---|---|---|---|
| 280ª | 04–05/08/2026 | 14,25% → 14,00% | −0,25 p.p. | Corte |
| 279ª | 16–17/06/2026 | 14,50% → 14,25% | −0,25 p.p. | Corte |
| 278ª | 28–29/04/2026 | 14,75% → 14,50% | −0,25 p.p. | Corte |
| 277ª | 17–18/03/2026 | 15,00% → 14,75% | −0,25 p.p. | Corte |
| 276ª | 27–28/01/2026 | 15,00% → 15,00% | 0,00 p.p. | Manutenção |
| 275ª | 10–11/12/2025 | 15,00% → 15,00% | 0,00 p.p. | Manutenção |
| 274ª | 04–05/11/2025 | 15,00% → 15,00% | 0,00 p.p. | Manutenção |
| 273ª | 17–18/09/2025 | 15,00% → 15,00% | 0,00 p.p. | Manutenção |
p.p. = pontos percentuais. Fonte: Banco Central do Brasil. Listagem da mais recente para a mais antiga.
Próximas Reuniões do COPOM — 2026
| Reunião | Data prevista |
|---|---|
| 281ª | 15–16/09/2026 |
| 282ª | 03–04/11/2026 |
| 283ª | 08–09/12/2026 |

Fontes: Banco Central do Brasil (bcb.gov.br) | Elaboração: SenseInvest
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