Relatório de Inflação — IPCA — Julho de 2026

· 5 min de leitura

Publicado em 11/08/2026 | Fonte: IBGE, Banco Central do Brasil, Trading Economics

1. Resultado do Mês

O IPCA de julho de 2026 registrou 0,07%, desacelerando 0,09 ponto percentual em relação a junho (0,16%).

O resultado foi puxado principalmente pela energia elétrica residencial, com reajustes tarifários em várias capitais e bandeira amarela vigente.

Ainda assim, a queda dos alimentos no domicílio e dos hortifrútis segue oferecendo alívio parcial ao orçamento das famílias.

Variação mensal: 0,07%

Variação em junho/26: 0,16%

Acumulado em 12 meses: 4,44%

Meta CMN para 2026: 3,00% | Teto: 4,50%


2. Os 3 Grupos com Maiores Variações

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, dois puxaram o resultado em direções opostas.

Habitação e Alimentação e Bebidas concentraram os maiores impactos do mês, com energia elétrica e alimentos no domicílio como vetores principais.

Grupo Var. Mensal Impacto (pp) % do IPCA
Habitação 0,99% 0,15 pp ~47%
Alimentação e Bebidas -0,67% -0,14 pp ~44%
Vestuário -0,66% -0,03 pp ~9%

2.1 Habitação (+0,99%)

Maior impacto do mês: 0,15 ponto percentual sobre o resultado geral.

A energia elétrica residencial acelerou de 1,53% em junho para 3,09% em julho, com impacto individual de 0,13 ponto percentual.

  • Reajuste de 8,85% em uma das concessionárias de São Paulo, a partir de 4 de julho.
  • Reajuste de 14,89% em Porto Alegre, vigente desde 19 de junho.
  • Reajuste de 19,55% em Curitiba, desde 24 de junho.
  • Bandeira tarifária amarela mantida, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh.

A taxa de água e esgoto subiu 0,40%, com reajustes em Salvador, Porto Alegre, Brasília e Rio Branco. O gás encanado recuou 0,04%.

2.2 Alimentação e Bebidas (-0,67%)

Principal alívio do mês: -0,14 ponto percentual de impacto no índice geral.

A alimentação no domicílio recuou 1,14%, com destaque para hortifrútis e itens da despensa.

  • Tomate (-29,09%): principal impacto negativo individual do mês (-0,10 pp).
  • Batata-inglesa (-19,59%) e cenoura (-14,41%).
  • Café moído (-2,45%).
  • Leite longa vida (+2,47%) e frutas (+1,20%) subiram no período.

A alimentação fora do domicílio acelerou para 0,55%, com lanches (+0,76%) e refeições (+0,42%) mais caros.

2.3 Vestuário (-0,66%)

Terceira maior variação em magnitude entre os grupos, contribuindo com -0,03 ponto percentual.

O recuo ajudou a compensar parte da pressão de habitação e serviços no mês.

O movimento reflete descontos e sazonalidade no varejo de roupas e calçados.


3. O Que é Inflação?

Inflação é o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços ao longo do tempo.

Como efeito da inflação há a perda do poder de compra do dinheiro.

Ela é calculada pelos índices de preços, comumente chamados de índices de inflação.

O IBGE produz o índice de preços (inflação) oficial do Brasil: o IPCA.


4. Variação Histórica — Gráficos

4.1 Variação Mensal — Últimos 12 meses

Evolução mês a mês da variação do IPCA entre agosto/2025 e julho/2026.

O único mês com deflação no período foi agosto/2025 (-0,11%). Março/26 foi o pico com 0,88%.

Variação mensal do IPCA — últimos 12 meses
Variação mensal do IPCA entre agosto/2025 e julho/2026.

4.2 Acumulado em 12 Meses — Últimos 12 meses

O acumulado em 12 meses atingiu o menor patamar do período em fevereiro/26 (3,81%) e o maior em maio/26 (4,72%).

Em julho/26, o índice desacelerou para 4,44%, abaixo dos 4,64% de junho.

A linha de referência indica o teto da meta do CMN (4,50%). O acumulado atual está dentro do intervalo de tolerância.

IPCA acumulado em 12 meses — últimos 12 meses
IPCA acumulado em 12 meses, com referência ao teto da meta CMN (4,50%).

4.3 Inflação Anual Acumulada — Série Histórica (1995–2026)

A série histórica revela os grandes choques inflacionários brasileiros desde a estabilização do Plano Real.

Os picos ocorreram em 2002–2003 (crise cambial), em 2015 e em 2021 (pandemia e energia).

O valor de 2026 representa o acumulado em 12 meses até julho — o ano ainda não encerrou.

IPCA — inflação anual acumulada de 1995 a 2026
IPCA — inflação anual acumulada (1995–2026).

* 2026: acumulado de 12 meses até julho/2026.


5. Perspectiva — Boletim Focus

O Boletim Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central que consolida as expectativas de cerca de 100 instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos.

É a principal referência para monitorar como o mercado enxerga o futuro da inflação no Brasil.

Referência: Focus de 07/08/2026

IPCA projetado para 2026: 5,02%

IPCA projetado para 2027: 4,22%

IPCA projetado para 2028: 3,80%

Selic projetada ao fim de 2026: 13,75% ao ano

A projeção do IPCA para 2026 segue acima do teto da meta CMN (4,50%), refletindo a cautela do mercado com energia e serviços.

O resultado de julho, embora baixo, não altera de forma relevante essa trajetória de expectativas para o ano.

Para 2027, a mediana de 4,22% indica convergência gradual, mas ainda acima da meta de 3,00%.


6. Inflação no Mundo — Comparativo

O contexto global de inflação em julho de 2026 combina desaceleração em algumas economias avançadas com pressão residual em energia e serviços.

Nos EUA, a inflação recuou em junho, enquanto a Zona do Euro acelerou levemente em julho.

Na China, os preços seguem contidos, com inflação abaixo de 1% ao ano.

País / Região Jul/26 (12m) Jun/26 (12m) Tendência
🇧🇷 Brasil 4,44% 4,64%
🇺🇸 EUA 3,50% 4,20%
🇬🇧 Reino Unido 2,60% 2,80%
🇪🇺 Zona do Euro 2,90% 2,80%
🇯🇵 Japão 1,70% 1,50%
🇨🇳 China 0,50% 1,00%

* Estimativas com base nos dados mais recentes disponíveis. EUA, Reino Unido e Japão: jun/26.

O Brasil (4,44%) segue com inflação acima dos países desenvolvidos, mas abaixo do teto da meta de 4,50%.

Os EUA (3,50%) desaceleraram em junho, enquanto a Zona do Euro (2,90%) acelerou levemente em julho.

Reino Unido e Japão seguem com inflação moderada, próximos ou abaixo de suas metas.

A China (0,50%) permanece com pressão de preços muito baixa, com risco de deflação em alguns setores.


Fontes: IBGE (ibge.gov.br/ipca) | Banco Central do Brasil (bcb.gov.br) | ONS UK | Trading Economics | Infomoney

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