Relatório de Inflação — IPCA — Abril de 2026

· 5 min de leitura

Publicado em 12/05/2026 | Fonte: IBGE, Banco Central do Brasil, Trading Economics

1. Resultado do Mês

O IPCA de abril de 2026 registrou 0,67%, desacelerando 0,21 ponto percentual em relação a março (0,88%).

O alívio no mês foi impulsionado principalmente pela desaceleração da gasolina e das passagens aéreas.

Ainda assim, o encarecimento de alimentos e remédios segue pressionando o orçamento das famílias.

Variação mensal: 0,67%

Variação em março/26: 0,88%

Acumulado em 12 meses: 4,39%

Meta CMN para 2026: 3,00% | Teto: 4,50%


2. Os 3 Grupos com Maiores Variações

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, dois dominaram o resultado do mês.

Alimentação e Bebidas e Saúde e Cuidados Pessoais representaram juntos cerca de 67% do IPCA de abril.

Grupo Var. Mensal Impacto (pp) % do IPCA
Alimentação e Bebidas 1,34% 0,29 pp ~43%
Saúde e Cuidados Pessoais 1,16% 0,16 pp ~24%
Artigos de Residência 0,65% 0,04 pp ~6%

2.1 Alimentação e Bebidas (+1,34%)

Maior impacto do mês: 0,29 ponto percentual sobre o resultado geral.

A alimentação no domicílio subiu 1,64%. Os principais destaques foram:

  • Cenoura (+26,63%): chuvas no início do ano reduziram a produtividade em Minas Gerais, restringindo a oferta.
  • Leite longa vida (+13,66%): período mais seco reduz o pasto, elevando o custo com ração animal.
  • Cebola (+11,76%) e Tomate (+6,13%): pressão de oferta sazonal.
  • Carnes (+1,59%): combustíveis mais caros encarecem o frete.

No lado oposto, café moído e frango em pedaços recuaram, amenizando parcialmente o resultado.

2.2 Saúde e Cuidados Pessoais (+1,16%)

Segundo maior impacto: 0,16 ponto percentual.

A partir de 1º de abril, a CMED autorizou reajuste de até 3,81% nos medicamentos, puxando os produtos farmacêuticos para +1,77%.

Produtos de higiene pessoal também contribuíram para a alta do grupo.

2.3 Artigos de Residência (+0,65%)

Terceiro maior resultado entre os grupos, sem um evento isolado que explique a variação.

O movimento reflete a pressão difusa nos preços de móveis, eletrodomésticos e utensílios, associada ao câmbio e ao custo de insumos industriais.


3. O Que é Inflação?

Inflação é o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços ao longo do tempo.

Como efeito da inflação há a perda do poder de compra do dinheiro.

Ela é calculada pelos índices de preços, comumente chamados de índices de inflação.

O IBGE produz o índice de preços (inflação) oficial do Brasil: o IPCA.


4. Variação Histórica — Gráficos

4.1 Variação Mensal — Últimos 12 meses

Evolução mês a mês da variação do IPCA entre maio/2025 e abril/2026.

O único mês com deflação no período foi agosto/2025 (-0,11%). Março/26 foi o pico com 0,88%.

Variação mensal do IPCA — últimos 12 meses
Variação mensal do IPCA entre maio/2025 e abril/2026.

4.2 Acumulado em 12 Meses — Últimos 12 meses

O acumulado em 12 meses chegou ao maior patamar do período em abril/26 (4,39%), após ter atingido o menor em fevereiro/26 (3,81%).

A tendência recente é de alta, puxada principalmente por alimentos e energia.

A linha de referência indica o teto da meta do CMN (4,50%). O acumulado atual está próximo desse limite.

IPCA acumulado em 12 meses — últimos 12 meses
IPCA acumulado em 12 meses, com referência ao teto da meta CMN (4,50%).

4.3 Inflação Anual Acumulada — Série Histórica (1995–2026)

A série histórica revela os grandes choques inflacionários brasileiros desde a estabilização do Plano Real.

Os picos ocorreram em 2002–2003 (crise cambial), em 2015 e em 2021 (pandemia e energia).

O valor de 2026 representa o acumulado em 12 meses até abril — o ano ainda não encerrou.

IPCA — inflação anual acumulada de 1995 a 2026
IPCA — inflação anual acumulada (1995–2026).

* 2026: acumulado de 12 meses até abril/2026.


5. Perspectiva — Boletim Focus

O Boletim Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central que consolida as expectativas de cerca de 100 instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos.

É a principal referência para monitorar como o mercado enxerga o futuro da inflação no Brasil.

Referência: Focus de 29/05/2026

IPCA projetado para 2026: 5,09%

IPCA projetado para 2027: 4,02%

IPCA projetado para 2028: 3,66%

Selic projetada ao fim de 2026: 13,25% ao ano

A projeção do IPCA para 2026 já ultrapassou o teto da meta CMN (4,50%), acumulando 12 altas consecutivas nas estimativas do mercado.

Esse movimento reflete a persistência dos choques de energia e alimentos, além da cautela do Copom na condução da política monetária.

Para 2027, a projeção de 4,02% indica que o mercado espera convergência gradual, mas ainda acima da meta de 3,00%.


6. Inflação no Mundo — Comparativo

O contexto global de inflação em abril de 2026 é marcado por duas forças opostas.

De um lado, o choque de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio pressiona países importadores de petróleo.

De outro, a desaceleração da demanda doméstica em economias avançadas ajuda a controlar a inflação de serviços.

País / Região Abr/26 (12m) Mar/26 (12m) Tendência
🇧🇷 Brasil 4,39% 4,14%
🇺🇸 EUA 3,80% 3,30%
🇬🇧 Reino Unido 2,80% 3,30%
🇪🇺 Zona do Euro ~2,2% ~2,3%
🇯🇵 Japão 1,40% 1,50%
🇨🇳 China ~1,0% 1,00%

* Estimativas com base nos dados mais recentes disponíveis. Zona do Euro: fev/26. China: mar/26.

O Brasil (4,39%) segue com inflação acima dos países desenvolvidos, mas em trajetória de estabilização frente ao pico de 2021–2022.

Os EUA (3,80%) sofreram o maior impacto energético entre as economias avançadas, com a gasolina subindo 28,4% em 12 meses.

Reino Unido, Zona do Euro e Japão seguem em desaceleração, próximos ou abaixo de suas respectivas metas de inflação.

A China (1,0%) segue na contramão, com demanda doméstica fraca e risco de pressão deflacionária em alguns setores.


Fontes: IBGE (ibge.gov.br/ipca) | Banco Central do Brasil (bcb.gov.br) | ONS UK | Trading Economics | Infomoney

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