Relatório de Inflação — IPCA — Setembro de 2026

· 6 min de leitura

Publicado em 09/10/2026 | Fonte: IBGE, Banco Central do Brasil, Trading Economics

1. Resultado do Mês

O IPCA de setembro de 2026 registrou 0,82%, acelerando 1,14 pontos percentuais em relação a agosto (-0,32%).

A alta foi puxada principalmente pela energia elétrica residencial, após o fim do crédito do Bônus de Itaipu nas faturas de agosto.

Alimentos voltaram a subir após três meses de queda, enquanto combustíveis e passagens aéreas também pressionaram o índice.

Variação mensal: 0,82%

Variação em agosto/26: -0,32%

Acumulado em 12 meses: 4,58%

Meta CMN para 2026: 3,00% | Teto: 4,50%


2. Os 3 Grupos com Maiores Variações

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas responderam por cerca de 86% do IPCA de setembro.

Habitação e Transportes, isoladamente, concentraram aproximadamente 65% do resultado do mês.

Grupo Var. Mensal Impacto (pp) % do IPCA
Habitação 2,31% 0,35 pp ~43%
Transportes 0,89% 0,18 pp ~22%
Alimentação e Bebidas 0,83% 0,18 pp ~22%
Vestuário 0,71% 0,03 pp ~4%
Comunicação 0,64% 0,03 pp ~4%
Artigos de Residência 0,27% 0,01 pp ~1%
Despesas Pessoais 0,26% 0,03 pp ~4%
Saúde e Cuidados Pessoais 0,08% 0,01 pp ~1%
Educação 0,04% 0,00 pp ~0%

2.1 Habitação (+2,31%)

Maior impacto do mês: 0,35 ponto percentual sobre o resultado geral.

A energia elétrica residencial subiu 7,98% com o fim da incorporação do Bônus de Itaipu, gerando impacto individual de 0,32 p.p. no IPCA.

  • Bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor em setembro.
  • Reajustes tarifários em Belém (+6,63%), São Luís (+5,42%) e Vitória (+6,89%).
  • Reduções em Rio Branco (-5,20%) e Fortaleza (-6,65%) por repactuação de UBP (Aneel).
  • Gás encanado: reajustes de 10,21% em Curitiba e 1,80% no Rio de Janeiro.
  • Água e esgoto: alta de 6,94% em Vitória, vigente desde 1º de setembro.

2.2 Transportes (+0,89%)

Segundo maior impacto entre os grupos: 0,18 ponto percentual.

Passagens aéreas avançaram 9,66%, enquanto combustíveis subiram 1,41% no mês.

  • Etanol (+3,16%), óleo diesel (+1,69%) e gasolina (+1,21%).
  • Gás veicular (+0,10%).
  • Táxi: reajuste de 8,42% em Belo Horizonte, vigente desde 8 de agosto.

2.3 Alimentação e Bebidas (+0,83%)

Terceiro grupo em variação mensal, com impacto de 0,18 ponto percentual após três recuos seguidos.

A alimentação no domicílio subiu 0,96%, puxada por hortifruti e cereais.

  • Tomate (+37,76%), batata-inglesa (+24,07%) e cebola (+10,14%).
  • Arroz (+4,56%) e carnes (+0,63%).
  • Frango inteiro (-1,96%), frango em pedaços (-1,41%) e frutas (-1,12%) atenuaram parte da alta.

A alimentação fora do domicílio acelerou para 0,48%, com refeição em 0,49%.


3. O Que é Inflação?

Inflação é o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços ao longo do tempo.

Como efeito da inflação há a perda do poder de compra do dinheiro.

Ela é calculada pelos índices de preços, comumente chamados de índices de inflação.

O IBGE produz o índice de preços (inflação) oficial do Brasil: o IPCA.


4. Variação Histórica — Gráficos

4.1 Variação Mensal — Últimos 12 meses

Evolução mês a mês da variação do IPCA entre outubro/2025 e setembro/2026.

O único mês com deflação no período foi agosto/2026 (-0,32%). O pico ficou em março/2026 (0,88%).

Variação mensal do IPCA — últimos 12 meses
Variação mensal do IPCA entre outubro/2025 e setembro/2026.

4.2 Acumulado em 12 Meses — Últimos 12 meses

O acumulado em 12 meses atingiu 4,58% em setembro/26, o maior patamar do período, após ter marcado 3,81% em fevereiro/26.

A leitura de setembro ficou acima do teto da meta do CMN (4,50%), após ter permanecido abaixo em agosto.

A linha de referência indica o teto da meta do CMN (4,50%).

IPCA acumulado em 12 meses — últimos 12 meses
IPCA acumulado em 12 meses, com referência ao teto da meta CMN (4,50%).

4.3 Inflação Anual Acumulada — Série Histórica (1995–2026)

A série histórica revela os grandes choques inflacionários brasileiros desde a estabilização do Plano Real.

Os picos ocorreram em 2002–2003 (crise cambial), em 2015 e em 2021 (pandemia e energia).

O valor de 2026 representa o acumulado em 12 meses até setembro — o ano ainda não encerrou.

IPCA — inflação anual acumulada de 1995 a 2026
IPCA — inflação anual acumulada (1995–2026).

* 2026: acumulado de 12 meses até setembro/2026.


5. Perspectiva — Boletim Focus

O Boletim Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central que consolida as expectativas de cerca de 100 instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos.

É a principal referência para monitorar como o mercado enxerga o futuro da inflação no Brasil.

Referência: Focus de 02/10/2026

IPCA projetado para 2026: 5,01%

IPCA projetado para 2027: 4,30%

IPCA projetado para 2028: 3,80%

Selic projetada ao fim de 2026: 13,50% ao ano

A mediana do IPCA para 2026 (5,01%) permanece acima do teto da meta CMN (4,50%), mesmo com o acumulado em 12 meses recém-divulgado em 4,58%.

O mercado segue atento aos choques de energia e alimentos, além da condução restritiva da política monetária.

Para 2027, a projeção de 4,30% indica convergência gradual, mas ainda acima da meta de 3,00%.


6. Inflação no Mundo — Comparativo

O cenário global de inflação em setembro de 2026 combina pressão energética na Europa com desaceleração em parte das economias avançadas.

Na Zona do Euro, o flash de setembro apontou aceleração relevante, puxada por energia.

Nos EUA, o último dado disponível permanece em agosto, enquanto o Brasil voltou a cruzar o teto da meta em 12 meses.

País / Região Set/26 (12m) Ago/26 (12m) Tendência
🇧🇷 Brasil 4,58% 4,22% ↑
🇺🇸 EUA 3,40% 3,40% →
🇬🇧 Reino Unido 3,10% 2,90% ↑
🇪🇺 Zona do Euro 3,80% 3,20% ↑
🇯🇵 Japão 1,90% 1,90% →
🇨🇳 China 0,80% 0,50% ↑

* Estimativas com base nos dados mais recentes disponíveis. EUA, Reino Unido, Japão e China: agosto/2026. Zona do Euro: flash de setembro/2026 (Eurostat).

O Brasil (4,58%) voltou acima do teto da meta e segue com inflação mais elevada que a média dos países desenvolvidos.

A Zona do Euro (3,80%) registrou a maior aceleração entre as regiões, com energia em alta de dois dígitos em 12 meses.

Reino Unido e China mostraram altas moderadas, enquanto EUA e Japão permanecem estáveis na última leitura disponível.

A China (0,80%) continua com pressão inflacionária baixa, em contraste com o choque energético europeu.


Fontes: IBGE (ibge.gov.br/ipca) | Banco Central do Brasil (bcb.gov.br) | ONS UK | Trading Economics | Infomoney

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Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento nem consultoria personalizada.

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