Publicado em 11/09/2026 | Fonte: IBGE, Banco Central do Brasil, Trading Economics
1. Resultado do Mês
O IPCA de agosto de 2026 registrou -0,32%, desacelerando 0,39 ponto percentual em relação a julho (0,07%).
O alívio no mês foi impulsionado principalmente pela queda da energia elétrica residencial, com a incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas de agosto.
Ainda assim, o reajuste do cigarro e a pressão em itens de despesas pessoais seguem elevando custos para parte das famílias.
Variação mensal: -0,32%
Variação em julho/26: 0,07%
Acumulado em 12 meses: 4,22%
Meta CMN para 2026: 3,00% | Teto: 4,50%
2. Os 3 Grupos com Maiores Variações
Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, dois puxaram o resultado em direções opostas.
Habitação e Despesas pessoais concentraram os maiores impactos do mês, com energia elétrica e cigarro como vetores principais.
| Grupo | Var. Mensal | Impacto (pp) | % do IPCA |
|---|---|---|---|
| Habitação | -1,87% | -0,29 pp | ~49% |
| Despesas pessoais | 1,30% | 0,13 pp | ~22% |
| Transportes | -0,86% | -0,17 pp | ~29% |
2.1 Habitação (-1,87%)
Maior impacto negativo do mês: -0,29 ponto percentual sobre o resultado geral.
A energia elétrica residencial recuou 7,63%, em decorrência da incorporação do Bônus de Itaipu creditado nas faturas emitidas em agosto.
- Bônus de Itaipu: principal fator de queda da conta de luz no mês.
- Fortaleza (-7,84%) e Rio Branco (-5,92%): redução tarifária por repactuação do UBP, aprovada pela Aneel.
- Gás encanado (+1,74%): reajustes de 10,21% em Curitiba e 1,80% no Rio de Janeiro, a partir de 1º de agosto.
- Bandeira tarifária amarela mantida, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Resultado foi o menor para um mês de agosto desde o Plano Real.
2.2 Despesas pessoais (+1,30%)
Maior variação positiva entre os grupos, com impacto de 0,13 ponto percentual.
O cigarro subiu 19,59% a partir de 1º de agosto, registrando o maior impacto positivo isolado do mês (0,11 p.p.).
O reajuste contrapôs parcialmente o alívio da energia elétrica no índice geral.
2.3 Transportes (-0,86%)
Terceiro maior resultado em magnitude, com impacto de -0,17 ponto percentual.
As passagens aéreas recuaram 13,17% e os combustíveis caíram 0,91%, com queda no etanol (-3,95%), no óleo diesel (-0,80%) e na gasolina (-0,59%).
O transporte por aplicativo (-4,57%) incorporou parte do resultado de julho não apropriado no mês anterior, conforme nota de retificação do IBGE.
3. O Que é Inflação?
Inflação é o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços ao longo do tempo.
Como efeito da inflação há a perda do poder de compra do dinheiro.
Ela é calculada pelos índices de preços, comumente chamados de índices de inflação.
O IBGE produz o índice de preços (inflação) oficial do Brasil: o IPCA.
4. Variação Histórica — Gráficos
4.1 Variação Mensal — Últimos 12 meses
Evolução mês a mês da variação do IPCA entre setembro/2025 e agosto/2026.
Agosto/26 entrou em deflação (-0,32%), repetindo o movimento de agosto/2025 (-0,11%). Março/26 foi o pico do período, com 0,88%.

4.2 Acumulado em 12 Meses — Últimos 12 meses
O acumulado em 12 meses atingiu o maior patamar do período em maio/26 (4,72%) e recuou para 4,22% em agosto/26.
A tendência recente é de desaceleração, após pressão de alimentos e energia no primeiro semestre.
A linha de referência indica o teto da meta do CMN (4,50%). O acumulado atual está abaixo desse limite.

4.3 Inflação Anual Acumulada — Série Histórica (1995–2026)
A série histórica revela os grandes choques inflacionários brasileiros desde a estabilização do Plano Real.
Os picos ocorreram em 2002–2003 (crise cambial), em 2015 e em 2021 (pandemia e energia).
O valor de 2026 representa o acumulado em 12 meses até agosto — o ano ainda não encerrou.

* 2026: acumulado de 12 meses até agosto/2026.
5. Perspectiva — Boletim Focus
O Boletim Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central que consolida as expectativas de cerca de 100 instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos.
É a principal referência para monitorar como o mercado enxerga o futuro da inflação no Brasil.
Referência: Focus de 04/09/2026
IPCA projetado para 2026: 5,00%
IPCA projetado para 2027: 4,29%
IPCA projetado para 2028: 3,80%
Selic projetada ao fim de 2026: 13,75% ao ano
A projeção do IPCA para 2026 permanece acima do teto da meta CMN (4,50%), mesmo após a deflação de agosto.
O mercado ainda enxerga pressão residual em serviços e itens administrados, embora o alívio da energia reduza o ritmo de curto prazo.
Para 2027, a mediana de 4,29% indica convergência gradual, mas ainda acima da meta de 3,00%.
6. Inflação no Mundo — Comparativo
O contexto global de inflação em agosto de 2026 combina alívio em energia e commodities com pressões pontuais em bens regulados.
No Brasil, a deflação do mês contrasta com a persistência de projeções elevadas para o ano no Focus.
Entre as economias avançadas, a desaceleração segue gradual, com dados de agosto ainda em divulgação em parte dos países.
| País / Região | Ago/26 (12m) | Jul/26 (12m) | Tendência |
|---|---|---|---|
| 🇧🇷 Brasil | 4,22% | 4,44% | ↓ |
| 🇺🇸 EUA | 3,40% | 3,50% | ↓ |
| 🇬🇧 Reino Unido | 2,90% | 2,60% | ↑ |
| 🇪🇺 Zona do Euro | 2,90% | 2,80% | ↑ |
| 🇯🇵 Japão | 1,70% | 1,50% | ↑ |
| 🇨🇳 China | 0,50% | 1,00% | ↓ |
* Reino Unido: jul/26 e jun/26. Zona do Euro, Japão e China: jul/26 e jun/26.
O Brasil (4,22%) segue com inflação acima dos países desenvolvidos, mas em trajetória de desaceleração no acumulado de 12 meses.
Os EUA (3,40%) apresentam leve queda na comparação mensal, ainda acima da meta de 2% do Fed.
Reino Unido, Zona do Euro e Japão seguem em patamares moderados, próximos ou abaixo de suas respectivas metas de inflação.
A China (0,50%) permanece na contramão, com demanda doméstica fraca e risco de pressão deflacionária em alguns setores.
Fontes: IBGE (ibge.gov.br/ipca) | Banco Central do Brasil (bcb.gov.br) | ONS UK | Trading Economics | Infomoney
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